sexta-feira, 10 de julho de 2026

“O Acidente” de Freida McFadden (contém SPOILERS)

 

Neste thriller da Freida McFadden, a protagonista, Tegan, está grávida de oito meses e decide abandonar tudo para tentar reconstruir a sua vida junto do irmão. Durante a viagem, uma violenta tempestade de neve provoca um acidente que a deixa isolada, ferida e sem qualquer forma de pedir ajuda. Quando um casal a resgata e a leva para uma cabana no meio da floresta, aquilo que parecia ser um golpe de sorte rapidamente se transforma num verdadeiro pesadelo. 

Desde o início, Freida McFadden cria uma atmosfera claustrofóbica. O isolamento, o frio, a incerteza, a gravidez de Tegan fizeram com que sentisse constantemente que algo estava errado. A narrativa avança, como já vem a ser hábito, a um ritmo acelerado, com capítulos curtos e um suspense que aumenta a cada página. 

Um dos detalhes mais ternurentos da história é a forma como Tegan se refere à filha que traz no ventre. Devido aos constantes desejos de comer atum durante a gravidez, acaba por lhe chamar carinhosamente “Pequena Atum”. Este pequeno pormenor humaniza Tegan e acaba por criar uma ligação entre mim (o leitor), a mãe e a bebé, funcionando como um contraste delicado perante toda a tensão que envolve a narrativa.

Ao longo da história, todas as suspeitas recaem sobre as personagens que rodeiam a protagonista. Eu fui levada (e penso, que todos nós…) a desconfiar do casal que a acolhe e de praticamente todas as pessoas que cruzam o seu caminho.  No entanto, Freida McFadden guarda a sua maior surpresa para o final. 

Quando tudo indica que o mistério está resolvido, descobrimos que o verdadeiro responsável por toda a conspiração era precisamente…a única pessoa sobre quem quase ninguém suspeitava. (Não, não vou dizer quem é 😅, lê o livro)

É precisamente esta capacidade de fazer o leitor olhar para trás e perceber várias pistas sempre estiveram presentes que distingue Freida McFadden. Nada acontece por acaso e muitos dos detalhes que parecem insignificantes ganham um novo significado nas últimas páginas. 

Embora algumas situações exijam alguma suspensão de descrença, isso faz parte do estilo da autora. O objetivo não é construir um thriller profundamente realista, mas proporcionar uma leitura rápida, intensa e cheia de surpresas. E, nesse aspecto, O Acidente cumpre plenamente a sua missão. 

Classificação final: ★★★★☆(4/5)

O Acidente é um thriller que demonstra porque razão Freida McFadden se tornou uma das autoras mais populares do género. Com um ritmo frenético, personagens envolventes e um final que muda completamente a perspectiva sobre toda a história, é uma leitura difícil de se largar. Se gostam de thrillers psicológicos repletos de tensão, mistério e reviravoltas capazes de surpreender até ao último capítulo, este livro merece, sem dúvida, um lugar na vossa estante.

Mais resenhas desta autora:

O Casamento da Criada

A Criada está a Ver

O Segredo da Criada

A Criada

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Estou de volta, FI-NAL-MEN-TE! (Parte 2 e final)

Olá, queridos leitores! ❤

Nos dias seguintes, à medida que a rotina se foi instalando novamente, a nossa vida mudou. Aquilo que antes tomávamos como garantido deixou de o ser. Os telefonemas que chegavam e atendíamos num milésimo de segundo, as mensagens que recebíamos pelo WhatsApp e às quais respondíamos quase de imediato, simplesmente deixaram de chegar. Ou então chegavam apenas quando conseguíamos ir para algum sítio com rede, e eram só notificações a cair…

Os geradores passaram a controlar as nossas vidas. Queres manter o que tens no frigorífico em condições de consumo? Gerador. Queres fazer comida num fogão elétrico? Gerador. Queres secar o cabelo? Gerador. Queres carregar as powerbanks? Gerador. Mas, Marta, para que queres as powerbanks? Para carregar os telemóveis (saber, mais ou menos, as horas é importante), carregar os candeeiros USB que temos em casa (para conseguirmos ver o que andamos a fazer e, já agora, onde anda a minha filha).

Não me lembrava da última vez que lavei o cabelo com um púcaro, usando água morna retirada de um tacho, mas posso dizer que já o fiz. Nunca tinha tentado fazer torradas numa frigideira, mas tenho de admitir que ficaram melhores do que na torradeira. 🙊

E notícias? E saber, afinal, que estradas estavam cortadas? Bendito o rádio a pilhas cá de casa! Foi durante muito tempo através dele que soubemos o que se passava à nossa volta. E devo dizer, já agora, que demoraram tempo demais a declarar o estado de calamidade nesta situação… Dei por mim, literalmente, a gritar para o rádio: “MAS ESTÃO À ESPERA DE QUÊ???” Mas isso são outros quinhentos…

Já agora… alguém se lembra da data em que tudo voltou à normalidade? A data da tempestade nunca irei esquecer (28/01/2026). O som do vento ainda nos provoca medo (pelo menos enquanto nos lembrarmos dele). A data em que o Wi-Fi voltou a casa (03/06/2026). Mas a data em que tudo voltou ao que era… essa não é a mesma para toda a gente. E não sei se, para alguns, esse dia alguma vez irá chegar… 💔


Publicações relacionadas:

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Estou de volta, FI-NAL-MEN-TE! (Parte 1)

 Olá queridos leitores! Tiveram saudades minhas? 😂

Por onde começar? Se moras em Leiria, sabes bem a dimensão da tempestade que aconteceu no final de janeiro. Para quem não sabe, bem… digamos que, às 4h da manhã, o vento parecia estar a lutar comigo dentro de casa. Queria abrir a porta do quarto e não conseguia. Ouviam-se as janelas a tremer e objetos a voar lá fora. O meu carro tinha ficado encostado à garagem durante toda a noite. Pensei que não ia ter carro de manhã. Felizmente, quando o vi, não tinha um único arranhão. Apenas estava quase sem combustível…

A nossa filha acordou com o barulho do vento. Fomos buscá-la e colocámo-la na nossa cama. Depois, fizemos uma espécie de “escudo”, virados de costas para a janela do quarto: primeiro a menina, depois eu, a seguir ele e, por fim, a cadeira da secretária a proteger as nossas cabeças, caso a janela se partisse com a força do vento. Felizmente, ninguém se magoou. Algumas telhas da casa soltaram-se, mas foram rapidamente repostas.

Quando, de manhã, tentei sair para trabalhar, não havia rede nem internet. As duas estradas que conhecia para chegar ao trabalho estavam bloqueadas por árvores caídas. Havia cabos espalhados pelo chão. Quase entalei uma roda do carro num deles. Também havia pedaços de isolamento e tijolos espalhados por todo o lado. Quando, à hora de almoço, começaram finalmente a abrir as estradas, tentei ir ver como estava a minha mãe. As árvores estavam cortadas ao meio. Parecia, literalmente, que um gigante tinha passado a noite inteira a derrubá-las.

No dia seguinte, eu estava a trabalhar com a ajuda de geradores. Já ele não, porque a fábrica ficou sem eletricidade. Felizmente, não sofreu grandes danos e conseguiu manter o trabalho. A nossa filha ficou sem ir à creche durante alguns dias. O edifício tinha ficado sem parte do telhado e as salas estavam inundadas.

Nas duas semanas seguintes à tempestade, comecei a trabalhar no turno da noite. Como trabalho num supermercado por turnos, tive de me adaptar. A estrada que normalmente utilizo ficou debaixo de água. Não dava para passar. Não havia GPS nem rede na maior parte dos sítios. Liguei para o trabalho e disseram-me para seguir por outro caminho.

Decidi voltar para casa e pedir ajuda ao meu namorado. Foi ele quem me levou ao trabalho. Mas não sem antes começar a chover torrencialmente. Não sem antes eu ter quase um acidente. Não sem antes gritar a plenos pulmões dentro do carro, convencida de que ia morrer ali e que ninguém me conseguiria encontrar ou socorrer devido a tudo o que estava a acontecer. Não sem antes ele me tentar ligar para saber de mim, enquanto eu gritava e ele não conseguia perceber o que eu dizia. E não sem antes chorar durante todo o caminho até ao trabalho, desejando estar em casa com a nossa filha de dois anos e com ele, sem sair até tudo passar.

Mas isso não aconteceu.

Fui trabalhar nesse dia e nos dias seguintes. Não sem chorar. Não sem sentir medo. Não sem sofrer um bocadinho todos os dias.

Até ao próximo post! ❤️


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Até a minha obra morrer

 És o livro que palpita e morre nas minhas mãos. A tua paixão sublime que me faz sentir o belo nas veias e desmaiar de seguida. O teu kosmos deu lugar ao caos e assim me deixaste. Em vez de te conteres e trabalhares comigo mais uns nove anos para limar as arestas e dar estrutura ao edifício em que vivíamos, apenas te foste. E agora trabalho sozinha numa linha ténue entre o controlo e a loucura, onde a arte toma lugar na minha vida. Páginas e páginas, é tudo o que te deixo, para que lembres o que já a ti te esqueceu. Sente a emoção do amor que sempre te deixei em vários cantos do país pelas minhas palavras que hoje não são nada senão meras lágrimas. Esta é a página mil trezentos sessenta e quatro do livro que escrevemos juntos e que eu agora continuo sozinha. E em todas as que o vazio permanecer, escreverei que te amo amor, até a minha obra morrer.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Resoluções de Ano Novo 2026


 Este ano, será o meu ano! Ou assim espero que seja! Este ano quero dedicar-me a mim e às minhas conquistas e por isso o plano é este:

- Estudar Gestão de Projetos 

- Treinar 2x por semana

- Ler 12 livros (ou 10 páginas por dia)

- Beber 1,5L de água por dia

Mas a verdade é que já estou a falhar e é dia 5 de Janeiro, mas não importa. O importante é ir fazendo, criar hábitos e tentar ser melhor todos os dias, mesmo que falhe uma vez ou outra… 

Tenho sido consistente no estudo, os treinos pararam devido a uma gripe de caixão à cova; o livro do momento é Os Primeiros da sua Erade Iolanda R. Santos, e beber água…é o pior de todos que ainda não cumpri um único dia… 😅

E vocês? Também fazem estas resoluções de inicio do ano? Todos os meses venho aqui fazer um refresh daquilo que tenho feito e se tenho conseguido fazer tudo o que aqui escrevi, fica atento! 

Outra coisa que quero ver se a meio do ano faço, é dar vida ao meu canal de YouTube que tem estado super paradinho! Tem as suas razões para isso, mas depois explico tudo num vídeo! 

Até ao próximo post! 😉

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Olá e até 2026

Olá queridos leitores, tenho estado desaparecida por aqui não é verdade? 😅 

O problema é que assim que acabei de ler A Biblioteca da Meia-Noite nunca mais li mais nada. E por isso não tenho vindo aqui escrever-vos. Não é só esse o problema, o problema é que tenho andado cansada na minha rotina. O mês de Novembro foi o mês de formações no trabalho, de a miúda ter ficado doente 3x para ajudar, muitas horas na estrada e ânimo zero para vir aqui e trabalhar neste meu cantinho com isto tudo a acontecer…

Talvez 2026 seja um ano mais consistente do que este foi… veremos!

Para já deixo-vos algumas fotografias nossas deste ano atribulado e até ao próximo ano! Não devo vir aqui muito brevemente 😅



“O Acidente” de Freida McFadden (contém SPOILERS)

  Neste thriller da Freida McFadden, a protagonista, Tegan, está grávida de oito meses e decide abandonar tudo para tentar reconstruir a sua...