Olá queridos leitores! Tiveram saudades minhas? 😂
Por onde começar? Se moras em Leiria, sabes bem a dimensão da tempestade que aconteceu no final de janeiro. Para quem não sabe, bem… digamos que, às 4h da manhã, o vento parecia estar a lutar comigo dentro de casa. Queria abrir a porta do quarto e não conseguia. Ouviam-se as janelas a tremer e objetos a voar lá fora. O meu carro tinha ficado encostado à garagem durante toda a noite. Pensei que não ia ter carro de manhã. Felizmente, quando o vi, não tinha um único arranhão. Apenas estava quase sem combustível…
A nossa filha acordou com o barulho do vento. Fomos buscá-la e colocámo-la na nossa cama. Depois, fizemos uma espécie de “escudo”, virados de costas para a janela do quarto: primeiro a menina, depois eu, a seguir ele e, por fim, a cadeira da secretária a proteger as nossas cabeças, caso a janela se partisse com a força do vento. Felizmente, ninguém se magoou. Algumas telhas da casa soltaram-se, mas foram rapidamente repostas.
Quando, de manhã, tentei sair para trabalhar, não havia rede nem internet. As duas estradas que conhecia para chegar ao trabalho estavam bloqueadas por árvores caídas. Havia cabos espalhados pelo chão. Quase entalei uma roda do carro num deles. Também havia pedaços de isolamento e tijolos espalhados por todo o lado. Quando, à hora de almoço, começaram finalmente a abrir as estradas, tentei ir ver como estava a minha mãe. As árvores estavam cortadas ao meio. Parecia, literalmente, que um gigante tinha passado a noite inteira a derrubá-las.
No dia seguinte, eu estava a trabalhar com a ajuda de geradores. Já ele não, porque a fábrica ficou sem eletricidade. Felizmente, não sofreu grandes danos e conseguiu manter o trabalho. A nossa filha ficou sem ir à creche durante alguns dias. O edifício tinha ficado sem parte do telhado e as salas estavam inundadas.
Nas duas semanas seguintes à tempestade, comecei a trabalhar no turno da noite. Como trabalho num supermercado por turnos, tive de me adaptar. A estrada que normalmente utilizo ficou debaixo de água. Não dava para passar. Não havia GPS nem rede na maior parte dos sítios. Liguei para o trabalho e disseram-me para seguir por outro caminho.
Decidi voltar para casa e pedir ajuda ao meu namorado. Foi ele quem me levou ao trabalho. Mas não sem antes começar a chover torrencialmente. Não sem antes eu ter quase um acidente. Não sem antes gritar a plenos pulmões dentro do carro, convencida de que ia morrer ali e que ninguém me conseguiria encontrar ou socorrer devido a tudo o que estava a acontecer. Não sem antes ele me tentar ligar para saber de mim, enquanto eu gritava e ele não conseguia perceber o que eu dizia. E não sem antes chorar durante todo o caminho até ao trabalho, desejando estar em casa com a nossa filha de dois anos e com ele, sem sair até tudo passar.
Mas isso não aconteceu.
Fui trabalhar nesse dia e nos dias seguintes. Não sem chorar. Não sem sentir medo. Não sem sofrer um bocadinho todos os dias.
Até ao próximo post! ❤️