terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Destaques do autor: Chuck Palahniuk

 

Escrever com café

Chuck Palahniuk é uma figura tão intrigante quanto os livros que escreve. Aqui estão algumas curiosidades sobre o autor: 

Começou a sua carreira como mecânico:

Antes de se tornar escritor, Palahniuk trabalhou como mecânico de camiões e foi também jornalista. Escrevia como um hobby, mas não acreditava que poderia transformar isso numa carreira. 

Rejeições iniciais: 

Clube da Luta foi inicialmente rejeitado por editoras por ser considerado muito polémico e perturbador. Eventualmente, foi publicado e tornou-se num clássico. 

Estilo influenciado por oficinas de escrita: 

Palahniuk frequentou oficinas de escrita onde aprendeu a criar narrativas mais impactantes e acessíveis. O autor acredita que essas experiências acabaram por moldar o seu estilo direto e provocativo. 

Apaixonado pela oralidade:

Muitos dos seus contos e histórias nasceram em sessões onde o autor narrava as ideias em voz alta, usando o feedback dos ouvintes para melhorar a narrativa. 

Fama inesperada com o filme:

A adaptação cinematográfica do Clube da Luta (1999) deu a Palahniuk um reconhecimento global. Curiosamente, e ao contrário do que muitos pensam, o filme não foi um sucesso imediato, mas cresceu em popularidade com o tempo. 

Histórias reais como inspiração:

Muitos dos seus livros e contos foram baseados em histórias reais, incluindo relatos bizarros ou situações extremas que o autor ouviu de amigos, leitores e familiares. 

“Guts” e desmaios:

Em leituras públicas do seu conto Guts, do livro Assombro, Palahniuk ficou famoso por fazer vários ouvintes desmaiarem devido à intensidade e detalhes gráficos do texto. 

Influência de autores clássicos: 

Palahniuk admira autores como F. Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway. O autor acredita que o seu estilo conciso e direto é influenciado pelo trabalho deles. 

Vida pessoal reservada: 

Apesar dos seus livros muitas vezes exporem o lado mais sombrio da natureza humana, Palahniuk é uma pessoa reservada e discreta. O autor é abertamente gay, algo que revelou publicamente em 2003. 

O autor ama ajudar escritores iniciantes:

Palahniuk é conhecido por compartilhar dicas de escrita, promover oficinas e oferecer conselhos sobre como melhorar as habilidades narrativas.  

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Rotina de escrita de Chuck Palahniuk

 

Mesa com um computador e um bloco de notas

Chuck Palahniuk é conhecido pelos seus livros intensos e de estilo único como o Clube da Luta. O autor adota uma abordagem metódica e disciplinada na sua rotina de escrita. Palahniuk compartilhou alguns detalhes de como organiza a sua prática criativa:

Escrita consistente:

Palahniuk valoriza a consistência. Escreve diariamente, acreditando que a prática contínua é essencial para desenvolver habilidades e explorar novas ideias. 

Blocos de escrita longos:

Prefere escrever por períodos mais longos, entrando profundamente no fluxo criativo. Durante esses períodos, o autor evita distrações e concentra-se completamente no texto. 

Revisões rigorosas:

Palahniuk é conhecido por revisar os seus textos muitas vezes antes de considerar o trabalho concluído. Acredita que a reescrita é onde a verdadeira magia acontece, ajustando o tom, ritmo e impacto emocional das suas histórias. 

Inspirado pela oralidade:

Chuck Palahniuk lê frequentemente as suas histórias em voz alta para garantir que soem naturais e envolventes. Isso também ajuda a identificar problemas no ritmo e na estrutura narrativa. 

Anotações em cadernos:

Palahniuk mantém cadernos para registar ideias, frases ou diálogos interessantes. O autor usa essas anotações como ponto de partida ou inspiração para os seus textos. 

Escrita em viagens:

Palahniuk gosta de escrever enquanto viaja, pois acredita que sair da sua zona de conforto proporciona novas perspectivas e ideias para as suas histórias. 

Estruturas bem planeadas: 

Antes de começar a escrever, o autor planeia cuidadosamente a estrutura das suas historias. Isso ajuda-o a criar narrativas coesas e com reviravoltas marcantes, o que é característico do seu estilo. 

Trabalho noturno: 

Palahniuk escreve muitas vezes durante a noite, especialmente quando a casa está mais silenciosa, permitindo um maior foco e criatividade. 


terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Chuck Palahniuk’s writing advice

Livro na cama com óculos de ver
“When you don’t want to write, set an egg timer for one hour (or half hour) and sit down to write until the timer rings.”

“Your audience is smarter than you imagine. Don’t be afraid to experiment with story forms and time shifts.”

“Before you sit down to write a scene, mull it over in your mind and know the purpose of that scene.”

“Surprise yourself. If you can bring the story - or let it bring you - to a place that amazes you, then you can surprise your reader.”

“When you get stuck, go back and read your earlier scenes, looking for dropped characters or details that you can resurrect as ‘buried guns’.”

“The longer you can allow a story to take shape, the better that final shape will be. Don’t rush or force the ending of a story or book.”

“Don’t give up.”


terça-feira, 28 de janeiro de 2025

”As Três Vidas” de João Tordo

Capa do livro “as três vidas” de João Tordo

Início da leitura: 03 de Janeiro de 2025

Fim da leitura: 19 de Janeiro de 2025

Páginas: 472

Rating: ★★★★

Não sei porquê mas não me consigo lembrar do nome da personagem principal, aliás, duvido que apareça no livro até. Mas adiante, história bastante interessante e envolvente. Nunca tinha lido nada do autor, mas este livro prendeu-me desde a primeira página. Um homem que precisa de trabalho para poder sustentar a família, vai trabalhar para o meio do Alentejo numa casa de ricos. Mas rapidamente descobre que o seu trabalho é mais do que tratar de burocracias. Envolvendo-se nas vidas dos netos do seu patrão, de nome Milhouse Pascal e sempre com o fiel jardineiro Artur para o acompanhar acaba envolvido em problemas que o obrigam a morar uma temporada em Nova Iorque. Ficamos a conhecer mais sobre a arte de andar sob a corda bamba (funambulismo), algumas menções à Guerra Fria e aos métodos aplicados na altura para obter informações e como isso deu cabe da vida de muitos homens. O livro é escrito como um relato de um período de vida do narrador até ao dia em que a notícia sobre esta história saiu no jornal. Simplesmente fantástico! 


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As Três Vidas - João Tordo

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Os melhores géneros literários para iniciantes na escrita criativa

 

Escrever com fotografias, café e um computador ao lado

Os melhores géneros literários para quem quer começar a escrever são aqueles que oferecem mais liberdade criativa, com estruturas relativamente simples e que permitem experimentar sem grande pressão. Estas são algumas das minhas sugestões:

1. Conto

Os contos são histórias curtas que permitem focar num só evento, personagem ou conflito. Acabam por ser ideais para aprender a condensar ideias e desenvolver habilidades de narrativa sem o compromisso de escrever um livro inteiro. 

Dica: Comece com histórias até 1.000 palavras e foca em finais impactantes.

Inspiração: 

“A Aia e outros contos” - Eça de Queiroz 

“A Felicidade” - António Lobo Antunes; 

“Contos” - Virgílio Ferreira;

 “Contos” - Fernando Pessoa 

2. Crónica

A crónica permite transformar situações do dia-a-dia em histórias interessantes e reflexivas. É perfeita para se exercitar o olhar criativo e o uso da linguagem em situações reais. 

Dica: Observa momentos simples da tua própria rotina ou de outras pessoas e transforma-os em textos.

Inspiração:

“Crónica” - Fernando Pessoa

“As Minhas Memórias de Lisboa” - Ramalho Ortigão

“A Moeda ao Ar” - Miguel Esteves Cardoso

“Crónicas do Mal de Amor” - Clara Ferreira Alves 

“As Pequenas Memórias” - José Saramago

3. Novela 

Este formato é mais curto que um romance completo, mas acaba por oferecer espaço para criar personagens e enredos mais elaborados do que um conto.

Dica: Planeia a estrutura antes de começar e limita o número de personagens e cenários. 

4. Poesia

A poesia ajuda a explorar emoções, sons e ritmos, desenvolvendo um senso mais apurado de linguagem. Não há regras rígidas, o que permite experimentar com estilos e formas. 

Dica: Começa com poemas curtos e simples, explorando temas pessoais ou universais. 

5. Fábulas ou Contos Infantis

Este género de escrita são ideias para iniciantes porque têm enredos simples, mensagens claras e permitem explorar a imaginação sem se preocupar com diálogos ou descrições complexas.

Dica: Inspira-te em histórias que já conheces e cria as tuas com um toque original. 

6. Microcontos 

São histórias extremamente curtas (menos de 1.000 palavras) ajudam a praticar a concisão, a criatividade e a narrativa com um impacto imediato. 

Dica: Usa limites de palavras como desafio criativo. 

7. Diário Ficcional 

É uma forma descontraída de criar personagens e desenvolver a escrita na primeira pessoa. Como se fosse um diário pessoal, mas com toques de ficção. 

Dica: Escreve entradas diárias como se fosses o personagem. 

Inspiração:

“O Diário do Último Ano” - Virgílio Ferreira

“Querido Mundo” - Bana Alabed

“Adrian Mole - Os Anos da Adolescência” - Sue Townsend

8. Fantasia ou Ficção Científica (de curta duração)

Géneros como a fantasia e a ficção científica permitem criar mundos únicos e fugir da realidade, estimulando a criatividade. Em versões curtas, acabam por ser menos intimidadoras. 

Dica: Mantém o foco em apenas um elemento fantástico para não complicar demasiado. 

9. Fanfiction 

Escrever fanfiction é ótimo para quem está a começar porque permite usar universos e personagens já conhecidos, concentrando-se apenas na prática de escrever. 

Dica: Usa fanfictions curtas para explorares técnicas narrativas. 

10. Histórias Baseadas em Experiências Reais

Escrever sobre algo que conheces reduz a dificuldade de criar cenários e personagens, permitindo focar na construção da história. 

Dica: Dá um toque fictício aos eventos para tornar o texto mais interessante. 

Agora que já conheces os géneros que podes abordar sendo iniciante na escrita criativa, qual destes te parece mais interessante para explorar? 

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Joyce Carol Oates MasterClass

Livro aberto

Joyce Carol Oates, na sua MasterClass, que se intitula por “Teaches the Art of the Short Story”, fala como escrever uma pequena história. E para isso, são precisos personagens e mais que isso, é preciso acontecer
alguma coisa. Estas histórias normalmente têm entre um a dois personagens e os contos são normalmente lidos de uma só vez. A autora considera que os primeiros rascunhos têm que ser escritos o mais rápido possível. E só após esse processo, podemos então reescrever as vezes que forem precisas, ler várias vezes e descobrir o nosso próprio ritmo de escrita. No entanto, Joyce Carol Oates, refere a importância do nosso trabalho ser lido por outras pessoas, como uma comunidade de leitores, ou um workshop de redação, por exemplo. 

Joyce Carol Oates, dá vários conselhos ao longo da sua MasterClass, como:

- Se for rejeitado, reescreva!

- Tenha um diário, escreva antes de ir para a cama e escreva à mão. 

- Descreva lugares e as suas reações aos lugares.

- Escreva mesmo quando não tem tempo. Quando estiver acordado até mais tarde. Quando estiver muito cansado. Mesmo que esteja mal ou doente, escreva nem que seja por 6, 8 ou 12 minutos. 

- Se por acaso, se se lembrar do que sonhou, escreva. 

- Se for tirando notas de coisas que se lembre do seu passado, do presente, e se as acumular até umas 200 páginas, é capaz de já ter algo com que trabalhar. 

- Fazer listas de mobília que quero ter na minha obra, se se passa no século XIX tenho que fazer uma pequena pesquisa.

- O que não usar num livro posso usar noutro. 

- Por vezes, a escrita vem de áreas que são normalmente reprimidas, como o alcoolismo, a depressão, a violência doméstica. 

- Para ter novas ideias, podemos sempre entrevistar os nossos pais ou avós.

- Se vais escrever sobre uma história real, muda o nome da personagem, a descrição e o lugar. Não devemos usar a escrita para magoar ninguém. 

E se estiveres a iniciar-te na escrita, quanto mais curta a história melhor. Consegues um melhor ritmo dessa maneira. Tenta começar com algo banal do dia-a-dia. Descobre algo que não sabias até aí. E dá um final poderoso. 

Espero que tenhas gostado deste pequeno resumo e das notas que te trouxe desta MasterClass e espero ter ajudado mais um bocadinho o teu percurso na escrita. O meu certamente que ajudou. 

Deixo aqui também uma lista das obras que a autora Joyce Carol Oates foi fazendo referência ao longo da MasterClass, para ler e analisar.

“O Diário do Escritor” - Virginia Woolf

O ensaio “Moments of Being” de Virginia Woolf

“O Retrato de Dorian Gray” - Oscar Wilde

“The Yellow Wallpaper” de Charlotte Perkins Gilmore

“The Use of Force” de William Carlos Williams 

Até a minha obra morrer

 És o livro que palpita e morre nas minhas mãos. A tua paixão sublime que me faz sentir o belo nas veias e desmaiar de seguida. O teu kosmos...