terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Balanço final deste ano e o meu plano para 2025

Este ano foi o ano em que iniciei este blog, em Abril, fui mãe em Maio, fiquei noiva em Agosto, celebrei 3 anos com o meu noivo, li 7 livros e iniciei um projeto de escrita. 

Isto prova que muito pode acontecer em apenas um ano. E por isso, no próximo ano quero conseguir ler, pelo menos um livro por mês e escrever uma história curta. 

E, caso me seja possível, realizar as MasterClasses de escrita até Outubro de 2025. 

Mas, vamos ao que interessa… na imagem abaixo vais puder ver o meu desafio para o ano de 2025 no que toca aos livros que irei ler. Sente-te à vontade para roubar a ideia, fazer a tua própria versão ou copiar esta mesma. 

Plano de leitura para 2025

Espero que tenhas umas boas entradas esta noite para o ano de 2025 e que a vida te sorria sempre! E eu irei cá estar contigo a partilhar todas as histórias que leio, que vivo e escrevo, todos os meses do ano. 😉

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Afinal quantos livros li este ano?

 Este ano comprometi-me a ler um pouco mais do tenho lido ao longos anos. Sempre foi algo que gostei de fazer, mas não tinha necessariamente o hábito de o fazer regularmente. Apesar de não ter conseguido ler todos os livros que planeei ler este ano, vou mostrar-vos quantos livros li.



Este ano segundo a aplicação até agora li 2.585 páginas, 7 livros em 114 dias do ano e o meu recorde de dias seguidos a ler, são 33 dias. 


terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Os livros e o Natal

A ler na quadra natalina
Nesta quadra venho mostrar-vos como o Natal e os os livros estão relacionados em algumas culturas.

1. Jólabókaflóð - Islândia 

  • Na Islândia existe uma tradição natalina chamada Jólabókaflóð (a “Inundação de Livros de Natal”).
  • Durante o Natal, os islandeses trocam livros como presentes e passam a noite de 24 de dezembro a ler, muitas vezes acompanhados de uma bebida quente como chocolate ou chá.
  • Esta tradição tem raízes na Segunda Guerra Mundial, quando os recursos eram limitados, mas os livros eram mais acessíveis.

2. Espanha e o Dia de São Jorge (influência natalina)

  • Embora seja mais conhecido como uma tradição de primavera, em algumas regiões da Espanha, como na Catalunha, há paralelos entre o Dia de São Jorge (Sant Jordi), onde livros e flores são trocados, e a troca de livros no Natal como presentes significativos.
  • A ideia de dar livros durante o Natal está a crescer, influenciada por esta tradição cultural.

3. Reino Unido e o Conto de Natal de Charles Dickens

  • Um Conto de Natal de Charles Dickens (1843) ajudou a moldar a visão moderna do Natal no Reino Unido e em outros países.
  • Embora não seja exatamente uma tradição de livros no Natal, a obra é tão influente que muitas famílias revêem esta história como parte das celebrações natalinas, seja lendo o livro ou assistindo às adaptações. 

4. Alemanha e os Mercados de Natal Literários

  • Na Alemanha, além dos famosos mercados de Natal (Weihnachtsmärkte), há também eventos literários específicos durante esta época. Muitos mercados têm barracas dedicadas a livros, incluindo contos natalinos tradicionais dos Irmãos Grimm e outros autores alemães. 
  • A leitura de contos infantis, como Der Struwwelpeter ou histórias natalinas, é uma prática comum nas famílias. 

5. Estados Unidos - Advento Literário 

  • Em algumas famílias americanas, criou-se a tradição de um calendário de advento literário, onde cada dia de dezembro até ao Natal é comemorado com a leitura de um livro ou conto infantil relacionado com o tema.
  • É comum presentear crianças com livros temáticos de Natal, como The Polar Express ou How the Grinch Stole Christmas.

6. Noruega e as Histórias de Natal de Alf Prøysen 

  • Na Noruega, as histórias e músicas de Natal do escritor Alf Prøysen são um marco cultural.
  • Contos natalinos são lidos como parte das celebrações, e há uma forte cultura de dar livros de presente no Natal. 

7. Países Nórdicos e as Histórias de Natal de Selma Lagerlöf

  • Na Suécia e outros países nórdicos, as histórias de Natal da escritora Selma Lagerlöf, como Lenda de uma Rosa de Natal, são populares durante esta época.
  • O Natal é uma época em que os livros têm grande destaque, com eventos literários e leituras públicas. 
Qual ficou a tua preferida? Eu não me importava nada de passar o Natal na Islândia… 😉

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

“Uma Pequena Vida” de Hanya Yanagihara

Capa de um livro

Data de início da leitura:
03 de Outubro de 2024

Data do fim da leitura: 19 de Dezembro de 2024

Rating: ★★★★

Já disse que leio muito lentamente? O maior livro que já li até hoje com quase 700 páginas. Apesar de ser grande, lê-se bastante bem. Por vezes temos que estar com atenção para saber que personagem está a falar. Jude é um rapaz que passou por muitas situações traumáticas na sua infância. Apesar de ter tido muito amor, mais tarde, pelas pessoas que lhe são mais próximas, não se conseguiu livrar do seu destino fatal. Logo, desde o início do livro que esperava este desfecho. Não me surpreendeu. No entanto, temos sempre a esperança que seja diferente. Willem acabou por ser quem mais o ajudou dos três amigos mais próximos. JB quem sempre os retratou com as suas obras de arte de arrepiar. No fim do livro é Harold que fala com pouco mais de 80 anos, e fala a Willem, que lhe conta o que Jude significava para si e a sua revolta por saber que Jude partiu achando que não era o suficiente para nada nem ninguém. 

Um livro que não é para toda a gente, mas que toda a gente devia ler. 

Compra aqui:

“Uma Pequena Vida” de Hanya Yanagihara

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

O violino do amor

 

violino a preto e branco

Ultimamente rimas com tudo e com nada. Cada palavra pronunciada pela tua voz tem o intuito de rimar com as minhas. Não só a nível sintático, mas também rítmico. Achas piada a esse jogo e pensas que para ser poeta os versos têm que rimar. Como se o poema fosse melodia e competes contigo mesmo. Quem diria que prefiro versos soltos que dizem tudo a versos rítmicos que não dizem nada… Melodia é quando os teus lábios tocam nos meus, e escreves os melhores versos sem fala ou escrita. Tens o ritmo no toque e não o sabes. Produzes todas as notas musicais nos meus lábios e no meu corpo como se fosses artista e eu sou o teu violino. Agarras em mim e tocas a peça “inverno” de Vivaldi com a desculpa que temos de nos aquecer. Envolvo-me nos teus braços, beijo os teus lábios, fazes-me declamar a mais bela poesia com a ponta dos teus dedos. Afinal és mais que poeta, és artista. 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

O que oferecer a um escritor no Natal

Mulher escrevendo

 O que dar de prenda a alguém que goste de escrever? Pode ser, sem dúvida, um grande desafio. Mas eu estou aqui para vos ajudar. Aqui estão alguns exemplos do que podes oferecer este Natal. 

1. Ferramentas de Escrita

- Cadernos de qualidade: moleskines ou cadernos personalizados são sempre úteis.

- Canetas especiais: canetas-tinteiro, canetas gel ou canetas de design elegante.

- Teclado mecânico: muitos escritores adoram a sensação tátil de um teclado mecânico. 

2. Livros Inspiradores

- Clássicos sobre escrita: exemplos incluem Escrever de Stephen King, ou Escrevendo com a Alma, de Natalie Goldberg.

- Romances ou contos: livros do género favorito do escritor podem servir de inspiração.

- Diários de leitura/escrita: livros interativos que ajudam a desenvolver ideias ou acompanhar o progresso criativo. 

3. Itens de Decoração Temáticos 

- Posters literários: com citações de autores ou ilustrações de clássicos da literatura.

- Luminárias criativas: como luminárias em formato de livro ou que imitam velas para criar um ambiente aconchegante. 

- Xícaras temáticas: personaliza das com frases como “Cuidado: este escritor está a criar mundos”.

4. Tecnologia e Ferramentas Digitais

- Assinatura de software: programas como Scrivener ou Grammarly podem ser úteis. 

- Kindle ou e-readers: para leitura prática e acesso a muitos livros.

- Assinatura de biblioteca digital: serviços como Audible, Kindle, Unlimited ou Scribd.

5. Acessórios para Conforto

- Fones de ouvido com cancelamento de ruído: perfeito para criar um ambiente de concentração.

- Apoio ergonómico: suporte para laptop ou almofadas de cadeira para longas sessões de escrita.

- Cobertores aconchegantes: para os dias frios de escrita.

6. Experiências 

- Workshop de escrita: presencial ou online, de acordo com os interesses do escritor.

- Assinatura de um clube de livro: para mantê-lo sempre a ler e inspirado.

- Ingressos para eventos literários: palestras, feiras do livro ou lançamentos de autores.

7. Itens Personalizados

- Capas de livros customizadas: com o nome ou inicial do escritor.

- Marcadores de página artesanais: úteis e cheios de charme.

- Carimbos de assinatura: para “autografar” livros ou papéis de forma criativa.

8. Outros itens úteis 

- Quadros brancos ou morais de cortiça: para organizar ideias e cronogramas.

- Kits de café ou chá gourmet: combustível essencial para muitos escritores.

- Caixas literárias: como as da Tag Livros ou OwlCrate, que incluem livros e mimos temáticos. 

Esses presentes mostram que pensaste no que o escritor realmente valoriza: criatividade, conforto e inspiração. Se souberes os gostos específicos dele, melhor ainda, que dá para personalizar muito mais! 

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Destaques do autor: Stephen King

 

Máquina de escrever

Stephen King, além de ser um dos escritores mais bem-sucedidos do mundo, tem uma vida cheia de curiosidades fascinantes. Estas são algumas delas:

1. Começou a escrever muito cedo

King escreveu a sua primeira história aos 6 anos de idade, inspirando-se em quadradinhos que lia na infância. 

Na adolescência vendia cópias das suas histórias para os colegas da escola.

2. Rejeições iniciais

Antes de se tornar famoso, King acumulou tantas cartas de rejeição de editoras que chegou a pregar todas com um prego na parede do quarto. O prego ficou tão cheio que precisou ser substituído por outro mais resistente. 

3. O lixo virou sucesso 

Carrie, o seu primeiro romance publicado, quase não saiu do papel. King jogou o manuscrito no lixo ao achar que não era bom o suficiente. A sua esposa, Tabitha, incentivou-o a terminá-lo e enviá-lo para as editoras. Foi o livro que acabou por o tornar famoso. 

4. A ligação com o sobrenatural 

Muitos dos seus romances são inspirados por pesadelos ou pensamentos que ele considera “assustadores demais para ignorar”. A ideia de It: A Coisa, por exemplo, veio de um pensamento sobre o que poderia viver nos esgotos de uma cidade pequena.

5. Participação em filmes 

King adora aparecer como figurante em adaptações dos seus próprios filmes. Tem até participações especiais em filmes como Creepshow, Carri, Pet Sematary e It: Capítulo 2.

6. Enfrentou o alcoolismo e o vício em drogas

Durante os anos 70 e 80, Stephen King lutou contra a alcoolismo e a dependência química. Chegou inclusive a admitir que escreveu livros como Cujo em um estado de blackout, sem se lembrar do processo depois. A sua família foi crucial para ajudá-lo a superar os seus vícios.

7. Apaixonado por música

Stephen King é fã de rock e até tocou guitarra numa banda chamada “The Rock Bottom Remainders”, formada por outros escritores famosos, como Amy Tan e Mitch Albom.

8. Quase morreu num acidente 

Em 1999, King foi atropelado por uma carrinha enquanto fazia uma caminhada. Sofreu sérias lesões e quase perdeu a vida. O acidente teve impacto na sua escrita e levou à decisão de desacelerar a sua carreira.

9. Escritor prolífico 

Publicou mais de 70 livros e centenas de contos. Alguns dos seus trabalhos foram assinados com o pseudónimo Richard Bachman para testar se ele conseguiria vender sem o peso do nome Stephen King. 

10. Coleção de manuscritos rejeitados

Stephen King guarda os rascunhos rejeitados dos seus trabalhos como forma de se lembrar das dificuldades do início da sua carreira e o valor da sua perseverança. 

11. Fobia de palhaços 

Apesar de criar Pennywise, o aterrorizante palhaço de It: A Coisa, King tem um medo genuíno de palhaços, o que inspirou o personagem. 

12. Leitor voraz

King lê cerca de 80 livros por ano e defende que escritores devem ser leitores assíduos. 

Stephen King é um exemplo de como perseverança, imaginação e trabalho duro podem transformar obstáculos em sucesso duradouro. 


sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Rotina de escrita: Stephen King

Pessoa a ler com um cafe na mão

 Stephen King é conhecido pela sua produtividade impressionante e disciplina. King segue uma rotina consistente que combina trabalho duro com uma abordagem prática. Estes são os principais elementos da sua rotina de escrita:

1. Escrita Diária

- Meta de palavras: King escreve cerca de 2.000 palavras por dia, o que equivale mais ou menos a cerca de 10 páginas.

- Horário fixo: o autor normalmente começa a escrever todas as manhãs por volta das 8h e trabalha até terminar a sua meta diária, o que pode levar cerca de 3 a 5 horas. 

2. Ambiente

Stephen King dá muita importância a um local de trabalho tranquilo e sem distrações. Este autor prefere um espaço com uma porta fechada para o ajudar a concentrar. 

3. Consistência 

O autor Stephen King escreve sete dias por semana, incluindo feriados, porque acredita que a consistência é essencial para manter o fluxo criativo.

4. Reescrita e Revisão 

Após terminar o primeiro rascunho, King recomenda deixar o texto de lado por pelo menos seis semanas antes de revisá-lo. Isso permite que o autor veja a obra com “novos olhos”. 

5. Leitura

Stephen King lê todos os dias, considerando a leitura uma parte essencial do desenvolvimento como escritor. Ele lê de tudo. Desde livros de ficção, não ficção e até géneros que não são do seu interesse imediato. 

6. Prioridade para a Criatividade

Durante o período de escrita, King evita distrações, como redes sociais ou telefonemas. Ele considera esse tempo sagrado. 

Filosofia de Escrita

No seu livro Sobre a Escrita: A Arte em Memórias (On Writing: A Memoir of the Craft), King compara a escrita a escavar fósseis: o trabalho do escritor é “descobrir” a história, em vez de criá-la do nada. 

O autor acredita também no poder da simplicidade. King sugere evitar adjetivos e advérbios desnecessários e manter uma narrativa clara e direta. 

Esta rotina reflete a importância de criar hábitos sólidos, consistência e foco para escritores que desejam alcançar produtividade e qualidade nas suas obras. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Stephen King writing advice

 

“First write for yourself, and then worry about the audience.”

“Don’t use passive voice.”

“Avoid adverbs.”

“Avoid adverbs, especially after “he said” and “she said”.”

“…But don’t obsess over perfect grammar.”

“The magic is in you.”

“You have three months.”

“Write one word at a time.”

“Stick to your own style.”

“The research shouldn’t overshadow the story.”

“You become a writer simply by reading and writing.”


sexta-feira, 29 de novembro de 2024

O que aprendi com a MasterClass de Neil Gaiman

Livro aberto

 Neil Gaiman é um dos autores mais populares da atualidade. E após assistir a MasterClass do autor, isto é o que tenho para partilhar convosco. 

Nós usamos histórias desde o início da humanidade para aprendermos. Na ficção transmitimos a verdade com histórias, que são fundamentalmente a contradição mais gloriosamente gigante que podes imaginar. O que estamos a dizer é que usamos mentiras. Estamos a levar pessoas que não existem, e coisas que não aconteceram a essas pessoas para lugares que não existem, e estamos a usar essas coisas para comunicar coisas verdadeiras às crianças. 

Neil Gaiman aconselha todo o escritor a ter uma pilha de textos, músicas, livros, pessoas que conhecemos aponte num caderno ou formato digital, como fonte de inspiração. Uma vez que as nossas influências são todo o tipo de coisas. As ideias obtêm-se juntando duas coisas. Juntando algo que nunca foi visto até hoje. Como o exemplo que o autor dá, “e se um lobisomem mordesse uma cadeira e essa cadeira matasse alguém?”.

Para encontrarmos a nossa própria voz teremos que começar por imitar os autores que gostamos e conhecemos e escrevermos até encontrarmos a nossa própria voz. Depois de escreveres 10.000 palavras, 30.000 palavras, 60.000 palavras, 150.000 palavras, um milhão de palavras, terás a tua própria voz. A tua voz é aquilo que não consegues deixar de fazer. A tua voz estará presente quer estejas a escrever uma fantasia ou uma ópera espacial. 

Mas o que é uma história? “A história é algo fictício que faz com que vires as páginas e que não te sintas enganado no final.” Para desenvolver a história temos que perguntar “E agora, o que vai acontecer?” A primeira coisa que tens que fazer, é importar-te com os teus personagens, se não te importares, ninguém se irá importar. 

Assim que tens uma ideia, escreve tudo aquilo que sabes. Podem ser rabiscos, palavras circuladas, qualquer coisa. Continua a escrever pensando onde queres chegar e não pares. 

Quando começamos a escrever não pensamos que vamos escrever aquele livro. Pensamos sim, na história que irá dar origem a esse livro. Tens que permitir que o conflito aconteça. E tens que saber o que querem os teus personagens. Muitas vezes é isso que faz desenrolar a história.  E apenas um deles pode ter o que quer. E lembra-te que as personagens para o bem e para o mal, sempre conseguem o que precisam. E não o que querem.

O que os personagens querem e o que os personagens precisam sempre impulsionaram cada história e sempre determinam como cada personagem irá se comportar, o que vai acontecer e como eles interagem com outros personagens. 

Ao descobrires como soam as personagens, como falam, irás descobrir o seu carácter através do diálogo. Precisas de saber como a pessoa que está a falar, se parece. Tens que a visualizar. Precisas conhecer bem os teus personagens para saber se fariam tal coisa. 

Quando tens muitos personagens na tua história, precisas de lhes dar algo que o torne diferente de todos os outros. Ao escreveres características visuais e verbais estás a ajudar o leitor a distinguir as personagens. 

Ao criares um mundo, precisas de olhar o mundo lá fora, pensa nos lugares onde já estiveste. Fá-los maiores. Fá-los menores. Como seria uma escola que cobrisse uma cidade inteira? Como seria se fosse uma ilha? E se estivesse a flutuar no ar? Como chegarias lá?

Permite que os teus personagens descobram as regras do mundo onde estão. As pessoas descobrem as coisas ao errarem. Descobre-se que o fogo queima pondo a mão nele. 

Descreve o que precisa ser descrito. Explica o que precisa ser explicado. Para a descrição, o autor tenta montar uma cena para as pessoas. Vai descrever uma pessoa. Um portão. Um túmulo. Mas o que o autor vai fazer é assumir que o leitor sabe como é que se parece uma árvore, uma casa, uma porta. E não precisa ser uma coisa muito grande para ser distinguível de outra igual a ela. Basta dizer que a árvore parece uma mão apertada tentando agarrar as nuvens. E, de repente, sabes que aquela árvore é diferente. Isto evoca uma emoção. 

Ao apelar aos cinco sentidos estamos a fazer com que o leitor sinta as coisas que lê muito mais vivamente. No entanto, o cheiro é sobrevalorizado na escrita. Já o toque, um dos mais usados, cria uma emoção. Se o autor disser que o personagem tocou em algo húmido e quente, este é o toque dos pesadelos. Ou assim, o conhecemos. 

Como lidar com o bloqueio de escritor?

Pensasse que o bloqueio de escritor é algo pelo qual nada podes fazer, o que é mentira. Na verdade, apenas ficaste bloqueado numa cena qualquer da história. Para lidar com isso há duas regras:

1. Comece a um passo de distância, ou seja, não fiques a olhar para a página em branco, vai fazer outra coisa qualquer.

2. Volte fingindo que nunca o leu antes, ou seja, começa do zero e lê a história por completo. 

Uma vez que fazemos isso, a história irá tornar-se óbvia. O problema está sempre antes, nas linhas anteriores às que paraste. 

O processo de escrita está dividido em dois. É primeiro um processo de criação e depois um processo de edição e correção. Após escrever uma história, Neil Gaiman, afasta-se do rascunho durante uma semana a 10 dias e imprime. Ao voltar, finge que nunca o leu antes e que nada sabe sobre o que está a ler. E faz anotações. Anotações sobre o que não faz sentido para ele enquanto leitor. 

A diferença entre o primeiro rascunho e o segundo rascunho geralmente pode ser pequena. Mas é o rascunho mais importante. É onde irás reforçar sobre o que é a história e eliminar os lugares onde estás a escrever coisas que não  são o assunto da história. E isso irá definir o que fica e o que sai. O processo de escrever o segundo rascunho, é fazer parecer que sabias o que estavas a fazer o tempo todo. 

Quando as pessoas dizem que algo não funciona na tua história. É verdade. Acredita nelas. Essa informação é importantíssima. Mas quando te dizem, que algo está errado e te dizem como corrigir, geralmente estão errados. Quando algo não resulta, normalmente o problema está antes no texto. E por vezes, é algo que precisa desaparecer. Ás vezes é algo que precisa ser escrito para configurar algo. Mas recebe essa informação como algo que não funciona para o leitor e apenas isso. Se começares a corrigir para este ou aquele leitor, estarás a escrever a história deles e não a tua. 

Regras para escritores:

1. Tens que escrever. Se não escreveres nada acontecerá.

2. Tens que terminar o que escreves. 

3. Depois de terminares, tens que enviá-la ao mundo para alguém que possa publicá-la. 

4. Quando voltar, que provavelmente irá voltar, tens que a enviar novamente. Continua até a conseguires publicar. 

5. Começa a escrever a próxima história. Continua. 

Se perguntares a Neil Gaiman o que deves fazer para seres um escritor, a resposta será esta: “deves escrever” e “deves terminar as coisas” e se não tens nada para dizer “vai lá para fora, para o mundo”. Ler é fantástico. Lê tudo o que puderes. Escreve tudo o que puderes. Mas viva muito, porque tudo o que acontece na vida vai acabar na ficção. Vais precisar de todos os seres humanos que já conheceste. Vais precisar de tudo aquilo que vês, porque um dia vais escrever uma história. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Como conciliar a maternidade com a escrita criativa

Mulher com um sinal na mão a dizer HELP

Tentar conciliar a maternidade com um trabalho a tempo inteiro e o desejo de escrever é um grande desafio, especialmente porque ambos exigem muita energia e dedicação. Estes são alguns dos desafios mais comuns que uma mãe escritora pode enfrentar:

1. Falta de Tempo:

Entre as responsabilidades de mãe, as horas de trabalho e as tarefas domésticas, encontrar tempo para escrever pode ser complicado. Até mesmo tirar alguns minutos para escrever, revisar ou planear pode parecer impossível.

2. Fadiga Mental e Física:

Com a maternidade, o desgaste físico e mental aumenta, e, com um trabalho a tempo inteiro, essa carga é multiplicada. Escrever exige concentração e criatividade, o que pode ser difícil de alcançar quando já se está exausta. 

3. Culpa Materna:

Muitas mães sentem-se culpadas ao reservar tempo para si mesmas, especialmente para atividades que não são consideradas “necessidades”. A ideia de dedicar um tempo para escrever, em vez de estar com a família, pode gerar um sentimento de culpa. 

4. Interrupções Constantes:

O ambiente de casa pode ser repleto de interrupções, e mesmo que o trabalho permita flexibilidade, uma mãe raramente consegue períodos longos sem ser interrompida, o que pode afetar o fluxo criativo.

5. Planeamento e Disciplina:

Manter uma rotina de escrita enquanto se cuida de um filho e trabalha a tempo integral exige um alto nível de planeamento e disciplina. Isso envolve aproveitar momentos livres, como quando a criança está a dormir ou os horários após o trabalho, o que exige uma organização meticulosa. 

6. Falta de Espaço de Trabalho Adequado:

Ter um local tranquilo para escrever pode ser complicado quando o ambiente de casa está sempre movimentado. Às vezes, é preciso improvisar, o que pode dificultar a produtividade. 

7. Impacto no Bem-Estar Emocional:

A pressão para equilibrar todas essas responsabilidades pode levar ao esgotamento emocional e afetar a saúde mental. Para uma mãe que também deseja escrever, pode ser difícil equilibrar esses desafios com autocuidado. 

Sugestões para combater esses desafios:

- Reservar pequenos blocos de tempo diários para escrever, sem pressão.

- Aproveitar a ajuda de familiares ou amigos quando disponível.

- Estabelecer metas de escrita realistas e mensuráveis, evitando sobrecarga. 

- Praticar autocuidado para manter a energia e a criatividade em alta. 

Conseguir escrever enquanto se administra tantas responsabilidades pode parecer uma missão impossível, mas, aos poucos, pequenas ações podem tornar esse objetivo mais possível e satisfatório. 

terça-feira, 19 de novembro de 2024

De volta ao trabalho com uma bebé de 6 meses

Bebé com óculos a dormir em cima de uma almofada

 Ninguém disse que ia ser fácil, certo? Pois é… Agora que voltei à rotina do trabalho de antigamente, acabo por me espantar como mantive o ritmo até ao sétimo mês de gravidez. Os pesos, os horários, as correrias e as pressões. No entanto, aguentei o que consegui, e agora que estou BEM MAIS LEVE, já não custa tanto. 

Agora o meu único problema é o sono. Com a bebé M a acordar 3 a 4 vezes todas as noites, acabo por adormecer com ela na mama. E quando acordo, vejo-a a dormir tranquilamente no meu colo. Quase que é um pecado pô-la na caminha dela, mas tem mesmo que ser. E porquê? Porque EU preciso de dormir também. E não se preocupem com a menina cair, porque eu levanto sempre a perna do lado onde ela tem a cabeça, para além de que dou mama na nossa cama, sentada, e sempre que ela se mexe ou faz um simples “ai” eu desperto que nem relógio de cucu! 

Com 6 mesinhos a minha menina está mesmo crescida e querida! Nunca pensei ter uma benção tão grande na minha vida, mas tenho e agradeço por isso todos os dias! Assim como agradeço todos os dias por ter o homem que tenho do meu lado. Sem ele, muitas vezes não teria a força que tenho hoje! Até ao próximo episódio de as “Histórias que Vivo”! 😉

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Destaques do autor: Neil Gaiman

Mãos numa máquina de escrever

 Neil Gaiman é um dos escritores mais influentes da fantasia e da ficção contemporânea, com uma carreira repleta de curiosidades e histórias fascinantes. Aqui estão alguns factos interessantes sobre o autor:

1. Começou como jornalista:

Neil Gaiman começou a sua carreira como jornalista, entrevistando músicos e escritores. Esse trabalho ajudou não apenas a financiar suas aspirações como escritor, mas também lhe deu a chance de conhecer alguns dos seus ídolos literários, como Douglas Adams.

2. História com Quadradinhos:

Gaiman ficou famoso com o seu trabalho na série de quadradinhos Sandman, publicada pela DC Comics. A série, que se tornou um grande sucesso, revolucionou o género ao trazer uma narrativa literária e complexa para os quadradinhos. Sandman ainda é uma das séries mais aclamadas, tendo sido adaptada recentemente para a televisão pela Netflix. 

3. Influência de Mitos e Lendas:

Fascinado por mitologia e folclore, Neil Gaiman incorpora muitos elementos mitológicos nas suas obras. Ele é especialmente atraído pela mitologia nórdica, que explorou profundamente em seu livro Mitologia Nórdica, onde reconta lendas de deuses como Odin, Thor e Loki com o seu toque único.

4. Grande Fã de Bibliotecas:

Neil Gaiman cresceu frequentando bibliotecas e credita a elas grande parte de sua formação como leitor e escritor. Ele é um defensor das bibliotecas públicas e acredita que elas são essenciais para o desenvolvimento intelectual e criativo de qualquer comunidade. 

5. Casado com Amanda Palmer:

Gaiman é casado com a artista e cantora Amanda Palmer, e os dois compartilham um relacionamento bastante aberto e criativo. Eles colaboram em projetos juntos e têm uma dinâmica que permite que ambos explorem a sua arte de forma independente e livre. 

6. Adaptação das suas obras para outros formatos:

Muitas das suas histórias foram adaptadas para o cinema e a televisão, incluindo CoralineStardust e Good Omens. Esta última, escrita em parceria com Terry Pratchett, foi transformada em uma série muito popular, com Neil Gaiman envolvido diretamente na adaptação para garantir fidelidade à obra. 

7. Amor por animais:

Neil Gaiman tem um carinho especial por animais, especialmente pelos seus gatos. Ele é um amante declarado de gatos e muitas vezes compartilha fotos e histórias sobre os seus animais de estimação nas redes sociais, o que o aproxima dos seus fãs, este seu lado mais pessoal. 

8. Grande Influência na Cultura Pop:

Gaiman é das figuras centrais na literatura de fantasia e horror, e as suas histórias influenciaram não só outros escritores, mas também a cultura pop. Ele já colaborou com diversos criadores e artistas, como os músicos Tori Amos e David Bowie, e é uma presença constante em eventos de ficção e cultura geek. 

9. Prémios e Reconhecimento:

Neil Gaiman recebeu inúmeros prémios o Hugo, o Nebula e o Bram Stoker. Ele é um dos poucos escritores a ganhar tanto o Newbery quanto o Carnegie Medal, duas das maiores honrarias em literatura infantil, pelo The Graveyard Book. 

10. Preocupação com a Liberdade de Expressão:

Além de defender as bibliotecas, Gaiman é um firme apoiador da liberdade de expressão. Ele é membro da organização de escritores PEN América e frequentemente se posiciona contra censura, acreditando que a literatura deve ser livre para explorar todos os aspectos da condição humana. 

Estas curiosidades mostram o quanto Neil Gaiman, que é uma figura fascinante, não só pelo seu talento literário, mas também pela profundidade das suas influências e pela dedicação à arte e à liberdade criativa. 

terça-feira, 12 de novembro de 2024

O que oferecer a um leitor no Natal de 2024

 

Duas chícaras de café com um livro e uns óculos de sol numa mesa de uma esplanada

Tens dúvidas sobre o que oferecer a um leitor este Natal? Aqui vão algumas ideias de presentes que fariam qualquer leitor feliz este Natal:

1. Livros personalizados ou Edições de Colecionador:

Uma edição especial de um livro favorito, uma edição de capa dura, autografada, ou mesmo uma versão ilustrada de clássicos como Orgulho e Preconceito ou Alice no País das Maravilhas são presentes únicos.

2. Vale-presente de Livrarias:

Para os leitores que gostam de escolher os próprios livros, um vale-presente de uma livraria local ou online é sempre boa ideia. 

3. Marcadores de Livros Criativos:

Marcadores de metal, couro, ou mesmo aqueles magnéticos com designs literários são um mimo simples, mas que todo o leitor aprecia. 

4. Luz de Leitura Portátil: 

Ideal para quem lê à noite, uma luz de leitura com clip, especialmente se dor leve e ajustável, é perfeita para ler em qualquer lugar sem incomodar ninguém.

5. Suporte para Livros:

Um suporte de leitura ergonómico ajuda a apoiar o livro e facilita a leitura sem cansaço nas mãos. Modelos dobráveis ou de madeira são práticos e bonitos. 

Suporte de Livro

6. Itens de Papelaria Inspirados em Livros:

Blocos de anotações, cadernos, planners e agendas com temáticas literárias são ótimos para quem gosta de escrever resenhas ou registar pensamentos. 

Cadernos e Papel

7. Velas e Difusores de Aroma:

Velas com aromas inspirados em livros e clássicos literários - como “Biblioteca Antiga”, “Lareira” ou “Café e Livros” - criam o ambiente perfeito para uma boa leitura. 

Sabonetes e velas

8. Saco ou Bolsa Literária:

Sacos reutilizáveis, mochilas e bolsas com frases literárias ou ilustrações de livros são práticos e mostram o amor pela leitura por onde o leitor vai. 

Sacos Literários - compra aqui

9. Fones de Ouvido para Audiolivros:

Um bom par de fones de ouvido é um ótimo presente para quem gosta de ouvir audiolivros durante deslocamentos ou caminhadas. 

10. Quadros ou Posters com Citações Literárias:

Uma bela frase de um autor favorito emoldurada é uma adição decorativa especial para o cantinho de leitura de qualquer leitor. 

11. Mapa Literário:

Mapas que mostram locais famosos de livros ou cidades literárias são decorativos e perfeitos para fãs de clássicos ou literatura de viagens.

12. Chá ou Café Especial para Leitores:

Combinações de chá, café ou até chocolate quente artesanal fazem um par perfeito com uma sessão de leitura. 

13. Roupa Confortável e Meias Quentes:

Roupas de malha, meias de lã ou mantas literárias fazem com que qualquer leitor se sinta confortável para mergulhar em um bom livro. 

14. Kobo ou Kindle:

Esta prenda é um pouco mais cara e por isso nem toda a gente tem oportunidade de a oferecer, mas faz sentido para aquele leitor que quer levar atrás de si a sua biblioteca e goste de ler em qualquer lado. 

Estas ideias, além de práticas, mostram carinho por entender o prazer que a leitura traz para a vida de um leitor. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Rotina de Escrita: Neil Gaiman

 

Pessoa a ler um livro e com um café na mão
Neil Gaiman é conhecido pela sua disciplina e criatividade, mas a sua rotina de escrita não segue uma estrutura rígida. Em várias entrevistas ele compartilhou alguns detalhes sobre como organiza o seu trabalho criativo, valorizando a flexibilidade e o respeito pelo próprio processo criativo. Aqui estão alguns pontos principais da rotina de escrita de Neil Gaiman:

1. Local e Ambiente de Escrita:

Gaiman prefere escrever em lugares onde se possa concentrar profundamente. Ele mencionou que gosta de escrever à mão em cadernos, especialmente quando está começando um novo projeto, pois isso o ajuda a evitar distrações e a se conectar mais com o fluxo de ideias. Em fases mais avançadas, ele costuma passar o seu trabalho para o computador. 

2. Produtividade com Metas de Tempo: 

Em vez de metas de palavras, Gaiman estabelece metas de tempo. Ele se compromete a escrever por um certo período todos os dias. Durante esse tempo, ele não precisa obrigatoriamente produzir muito, mas precisa permanecer nesse “estado” de escrita, seja para criar, revisar ou pensar na história. Ou seja, durante esse período Gaiman apenas tem permissão para escrever, se não for para escrever então não faz nada. 

3. Escrita Regular e Constante:

Neil Gaiman acredita na importância de escrever todos os dias para manter o fluxo de ideias e a consistência. Mesmo que seja por um curto período, ele tenta escrever ou trabalhar em alguma etapa de criação. Valoriza a continuidade e evita longas pausas, pois considera que isso o ajuda a manter o projeto “vivo” na mente. 

4. Evitar o perfeccionismo no primeiro rascunho:

Como muitos escritores, Gaiman evita tentar fazer um primeiro rascunho perfeito. Ele enfatiza a importância de completar a primeira versão, mesmo com imperfeições, antes de começar a refinar a história. Neil Gaiman acredita que é mais fácil melhorar uma ideia depois que ela está completa do que travar o processo ao tentar aperfeiçoar cada detalhe logo no início. 

5. Inspiração para contar histórias:

Para Neil Gaiman, a escrita é uma forma de entretenimento, e por isso ele costuma imaginar que está contando uma história para alguém específico. Essa abordagem ajuda-o a pensar no fluxo da narrativa e a criar uma conexão com o leitor, tornando todo o processo mais envolvente. 

6. Paciência e Respeito pelo Processo:

Gaiman respeita o tempo que cada história exige para ser contada e evita forçar o ritmo. Ele acredita que algumas ideias precisam “maturar” antes de serem exploradas por completo, e por isso trabalha de forma intuitiva, respeitando o seu próprio processo criativo. 

Embora Neil Gaiman tenha uma rotina, há uma flexibilidade que permite ao processo criativo fluir naturalmente, sem pressão excessiva. Para Gaiman, o compromisso com a escrita diária e o respeito ao próprio ritmo são as chaves para se manter produtivo e inspirado. 

terça-feira, 5 de novembro de 2024

Invisível

Mulher de costas a pôr as mãos à cabeça

 Estás em cada esquina do meu pensamento. Mentira. Estás para onde quer que olhe, lá estás tu. O olhar intenso de quem me ama, mas que também me odeia e sente saudade dos tempos banais que passámos. Esta relação de amor/ódio tem que acabar. Mas sem ela, teríamos ainda alguma coisa? O silêncio, a distância… Espero que sejas forte o suficiente para não dizer nada. Hoje apenas escrevo no papel enquanto a saudade aperta. E a lata que não tenho para te dirigir a palavra. Amo-te. Odeio-te. Odeio-te! Ok, amo-te! No entanto, dizer que te amo não define de todo o sentimento. As coisas poderiam ser mais simples, mas não são. O tremer do corpo, o arrepiar da pele…dizem que é muito mais que isso. Fico fechada em quatro paredes a tentar respirar, ofegante com vontade de desmaiar e as lágrimas começam a escorrer-me pela cara… Concentra-te, digo de mim para mim. Limpo as lágrimas, ponho um sorriso e digo em voz alta - esta foi a vida que escolhi. Não podes abrir as portas do passado quando queres e escolher um destino diferente. Não será a mesma coisa, não é a mesma coisa. O tempo há-de passar, a vida há-de correr e tudo ficará bem. Basta não pensar, basta não sentires. Nem que ele seja parte da tua alma, nem que com ele sintas que não falta nada. Nem que isso te mate aos poucos… 

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Neil Gaiman’s writing advice

 


“Writing is using lies about people who don’t exist, in places that aren’t, to tell the truth.”

“The story is not that dragons exist, the story is that dragons can be defeated.”

“All fiction has to be as honest as you can make it.”

“Writers shouldn’t read like readers, they should read like crafts people, like writers.”

“If you feel like you haven’t got anything to say, it’s not that you haven’t lived, it’s that you’re not prepared to say anything true about who you are.”

“It’s really important for writers to have a compost heap.”

“Don’t try to tell your readers how to feel, just write what happens.”

“Your influences aren’t just writers.”

“Take apart a story you’re familiar with, turn it on it’s head, see how it works.”

“Make up stories about people around you. In train carriages, in the street, anywhere.”

“Ideas come from two things coming together.”

“Mistakes may be the most important thing for writers.”

“Your voice is the stuff you can’t help doing.”

“Finish things.”

“Before you start writing your story, sit and think “what’s the most important thing about it” and bear that in mind.”

“Narrative voice shouldn’t be the voice of the author. It should be somebody saying ‘let me tell you what happened to me’.”

“The story is anything that keeps you turning the pages, and doesn’t leave you feeling cheated in the end.”

“The most important words for a storyteller are ‘and then what happened’ - if you don’t care as an author, then nobody else will.”

“Before you start, write down everything you know, ideas, names, sketches, get it all out and your brain will make connections.”

“If you get stuck, often the only question that unlocks the door is ‘what do your characters want?’.”


quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Isto foi o que aprendi com a masterclass de Michael Lewis

 
No mês passado inscrevi-me no site da Masterclass para devorar tudo o que tivesse haver com escrita. Decidi começar pela aula de Michael Lewis “Tell a Great Story”. E isto foi o que eu aprendi.

- Se não te divertires a escrever, ninguém se vai divertir a ler. 

-Usa a tua própria experiência para encontrar boas histórias. 

-Tem uma personagem que queiras seguir. 

- Se tiveres problemas em começar a escrever, escreve para alguém que ames, como por exemplo, uma carta para a tua mãe. 

- Lê o teu trabalho em voz alta para descobrires os erros.

- Sê curioso sobre os teus personagens. 

- Desacelera a ação na página. 

- Descobre o teu inicio e fim da história antes de começares a escrever.

- As personagens ficam melhores quanto mais em risco elas ficam. 

- Dá a cada personagem a sua própria voz. 

- Presta atenção ao que as pessoas fazem e reagem em diferentes situações. 

Como escrever, segundo Michael Lewis:

- Escreve em pequenas cenas.

- Pergunta a ti mesmo(a): “Estás pronto(a) para escrever isto?”. Há temas que simplesmente são mais delicados que outros. 

- Cria um ambiente para escrever, como fotos de familia que te podem pôr na disposição de escrever.

- Cria um espaço privado para escrever. 

- Minimiza as distrações.

- Cria uma playlist diferente para cada livro.

Rotina de escrita, segundo Michael Lewis:

- Mantém-te relaxado.

- Escreve no inicio e no fim do dia.

- Não te levantes até teres 1.000 palavras.

- Escreve em cafeína e edita em vinho.

- Edita de bom humor.

- Tenta parar antes de teres acabado as tuas ideias todas.

Como acabar uma história, segundo Michael Lewis:

- Saber o fim da história ajuda a escrevê-la.

- Saber o que acontece com as personagens no final da história ajuda a imaginar o que fizeram antes e a guiar-nos durante a história. 

- Saber o fim da história ajuda a deixar pistas durante a história que criam interesse e tensão.

O melhor conselho de Michael Lewis para quem quer escrever:

“Põe o rabo na cadeira” (“Put your ass in the chair”)

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Vamos falar sobre amamentação?

 


Nota: apenas sobre amamentação materna.

Finalmente chegou o dia, a bebé M começou a sua jornada na creche. E junto com isso, começa o verdadeiro trabalho de mãe, ou melhor, vaca leiteira de plantão! Pois é, uma vez que a bebé M não está mais coladinha a mim, em casa, lá vou eu tirar leite para ela levar. E alguém me avisa onde foi o tempo?? Entre uma bomba grudada nas mamas quase o dia todo e o congelador que está mais para armazém de leite, pergunto-me: será que é suficiente? É sacos de 150ml, 60ml, 90ml, 100ml… Parece que estou a misturar bebidas num bar! 

Da última vez que lhe dei um biberão de míseros 120ml, a bebé M fez um escândalo como se estivesse a passar fome, do tipo “Onde está o resto, mãe?” Mas, penso que seja apenas o feitio forte dela, porque quando a vou buscar, dizem que ela é um anjo! Em casa? Só para ela pegar no sono, é uma novela. Literalmente, demoro o tempo todo da novela da SIC, “A Promessa” para a adormecer. Na creche? Dorme que é uma beleza. Vai-se lá entender a miúda. 

Agora sobre os mamilos… Ah, os meus mamilos! Estão mais feridos que os sentimentos de um coração partido. E não é tanto pela bomba, mas porque a bebé M decidiu que morder, puxar e depois rir na minha cara é uma excelente brincadeira. E assim seguimos…ah, ser mãe… que maravilha, não é? 

P.S.: continua a ser a melhor aventura das nossas vidas! Minha e do pai! 

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Rotina de escrita: Anne Rice


 Anne Rice, autora de “Entrevista com o Vampiro”, é a rainha do gótico moderno, com uma rotina de escrita que beirava o sobrenatural! Primeiro nada de café de manhã com a luz do sol! A sua jornada criativa começava quando o resto do mundo já estava preparado para dormir. Rice mergulhava na escuridão e escrevia - perfeita para evocar os seus vampiros e seres misteriosos! Era como se as sombras da noite dessem a ela uma energia secreta, transformando a quietude em pura inspiração. 

Rice podia passar horas e horas a escrever, e quando digo horas…falo HORAS! Anne escrevia como se os seus personagens a possuíssem, ficando até, por vezes, doze horas em frente ao teclado, sem parar para respirar (ou comer…ou dormir!) Mas nada de rascunhos curtos e polidos na primeira tentativa! Não, senhor! Anne acreditava em despejar todas as suas ideias na página, sem freios. E o resultado? Manuscritos gigantescos, quase imortais como os seus vampiros, que depois passavam por refinamentos. 

E o melhor de tudo? Anne era tão apaixonada pelos seus personagens que, quando mergulhava de volta nas suas séries - como “As Crónicas Vampirescas” - parecia que ela estava a rever velhos amigos (mortos-vivos, mas ainda assim, amigos!). A intensidade emocional de Rice era palpável, cada palavra tinha peso, como se estivesse a derramar a sua própria alma no papel! 

E assim, com noites longas, café escuro, e uma pitada de mistério, Anne Rice transforma o mundo sombrio em pura literatura…e ainda faz por parecer que é tudo uma questão de magia! 

Ainda que a sua rotina noturna tenha sido alterada com o nascimento do seu filho, Rice continuou a sua magia durante os sonhos do seu filho.

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

O amanhã sempre vem


A saudade pesa. Pesa no peito, pesa no corpo e ainda assim não a vejo. Não consigo ver o seu peso quando me ponho em cima da balança. Nem tão pouco a vejo no espelho do nosso quarto. Sinto a tua ausência. O vazio na nossa cama, o vazio no meu peito. O silêncio ensurdecedor nas paredes da casa. O telemóvel que não toca mais com as tuas mensagens. Nem um bom dia, nem como é que estás. 
As lágrimas que deito, escorrem-se pela cara e morrem na minha boca. Gostaria que a vida fosse mais simples. O céu sempre azul. Mas, as nuvens prevalecem e a chuva cai a potes. Qual música poderosa que compete comigo…
Tenho cadernos cheios na estante. Mais de mil cartas que te escrevi. Nunca as leste. Sentimentos declarados em papel espelhados… Nos meus olhos os provaste e em teus sonhos os revelaste. Acaba a tempestade e acabamos nós. Mas, sabes? Ou melhor…sabias? Assim como é certo que o sol se põe, também é certo que ele nasce. 


terça-feira, 8 de outubro de 2024

“Nunca me esqueças“ de Lesley Pearce

Início da leitura: 17 de agosto de 2024

Fim da leitura: 03 de outubro de 2024

Rating: ⭑⭑⭑⭑

Ao chegar ao fim do livro percebe-se que se trata de uma história real, e se há algo que eu gosto de ler são histórias verídicas. Acabamos por não saber ao certo o que aconteceu a Mary após a partida dela de Londres. Mas, a autora imagina que Mary acabara por se casar e ter filhos novamente. 

O livro começa numa sala de tribunal, o que nos prende logo desde a primeira página. Uma história passada em 1786 e nos anos seguintes, onde a pena de morte é real e onde as pessoas são deportadas para ilhas sem condições de sobrevivência até cumprirem a sua pena. 

Mary mostrou-se ser destemida ao pedir o mínimo de condições de higiene e de sobrevivência, e não apenas para seu benefício próprio. Tendo engravidado em duas circunstâncias completamente diferentes e ainda ter conseguido fugir da prisão da ilha, só para mais tarde ter de enfrentar mais adversidades e consequências muito piores. Mas foi também a sua coragem, que lhe garantiu um futuro melhor após ter enfrentado tanta dor e desgosto. 

Não foi um livro que eu dissesse “uau”, nem que me pusesse de certa forma colada a ele em algum momento. Na verdade, estive literalmente a “mastigar” os três últimos capítulos. Ainda assim, estes livros são também muito preciosos. Obrigada pela viagem ao mundo da Mary. Ela acaba por nos ensinar que mesmo no fundo do poço, somos nós quem comandamos a nossa vida. 

Compra aqui:

Livro físico “Nunca me esqueças” de Lesley Pearce

Ebook “Nunca me esqueças” de Lesley Pearce

Livro de bolso “Nunca me esqueças” de Lesley Pearce

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Anne Rice’s writing advice

 


“Write the book of your dreams, write what you want to be known for.”

“You may write two or three chapters of a book and decide you hate it. Don’t throw it away, save it.”

“Create, through writing, the person you want to be.”

“The great thing about our profession is there are no rules.”

“Don’t ever think that you have to know a whole lot about publishing to break in, you really don’t.”

“Never revise that book because you got a rejection from an editor with a bunch of negative advice. Any editor who rejects your book doesn’t get it.”

“Don’t hesitate to write one sentence paragraphs and short paragraphs in general…never, never bury a key revelation or surprise or important physical gesture by character at the end of an existing paragraph. Move this to a new paragraph.”

“If the plot takes a high improbable turn, acknowledge that through having the characters acknowledge it.”

“Never get trapped into thinking that if you have a character open a door, he necessarily has to close it later on…you are creating a visual impression of a scene, and you don’t need to spotlight every gesture.”

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Rotina de escrita: Mark Haddon


 Muitos grandes autores da nossa atualidade, têm rotinas de escrita. E esta crónica serve para conhecermos algumas delas. Hoje, viemos conhecer a rotina de escrita do autor deste mês: Mark Haddon.

A rotina de escrita do autor de “O Estranho Caso do Cão Morto” é bastante estruturada, mas também flexível. Como vimos no “Destaques do Autor: Mark Haddon” , o autor é conhecido por ser disciplinado. No entanto, a sua abordagem ao trabalho é influenciada pelo projecto que está a desenvolver. 

1. Horário de Trabalho:

Geralmente escreve durante o dia, começando de manhã e trabalhando até ao início da tarde. Valoriza a manhã para o trabalho mais criativo e intenso, uma vez que considera que esse é o momento em que a sua mente está mais fresca.

2. Disciplina e Flexibilidade

Embora tenha uma rotina disciplinada, Haddon é também flexível. Acredita na importância de se dar tempo para refletir e não tem medo de fazer pausas quando necessário. Se estiver a passar por um bloqueio criativo, o autor permite-se afastar da escrita para fazer outra coisa, como caminhar ou atividades que não estejam relacionadas ao trabalho.

3. Escrita Longhand:

Por vezes o autor prefere escrever à mão em vez de usar um computador, especialmente no estágio inicial do seu processo criativo. Isto permite-lhe pensar de forma mais clara e menos interrompida. 

4. Revisão e Reescrita: 

Haddon é muito dedicado ao seu processo de revisão. O autor passa muito tempo reescrevendo e polindo o seu trabalho. É inclusive muito comum que o autor revise um texto inúmeras vezes antes de considerar que está finalizado. 

5. Influências e Inspirações: 

Haddon busca inspiração de diversas fontes, incluindo literatura, artes visuais e experiências pessoais. Valoriza ainda a importância de estar aberto a novas ideias e influências, o que acaba muitas vezes por enriquecer a sua escrita.

6. Equilíbrio Vida-Trabalho:

O autor esforça-se por não deixar que a escrita domine completamente a sua vida, procurando sempre reservar tempo para a família, amigos e outras atividades que lhe tragam prazer. 

Em suma, Mark Haddon combina disciplina e flexibilidade na sua rotina e dá uma forte ênfase na revisão e na qualidade do seu trabalho final. 


terça-feira, 17 de setembro de 2024

Destaques do autor: Mark Haddon


Mark Haddon nasceu em 1962, a 26 de Setembro, em Northampton. Vive em Oxford com a sua mulher Sos Elvis e os seus dois filhos. É vegetariano e ateu.

Apesar de parecer, não se considera um escritor disciplinado. Apenas porque não deixa qualquer rascunho vir cá para fora. O autor inicia muitas coisas e felizmente tem pessoas que lêem tudo aquilo que escreve, como a sua mulher que lhe diz se algo que ele escreveu resulta ou não. Muitas vezes, o autor não sabe bem o que está a criar. O que começa sendo um poema, pode tornar-se uma cena, possivelmente um romance e no fim uma história curta.

O seu pai era arquitecto e o autor admite que quando escreve uma cena, tem que desenhar a planta daquela divisão e assim visualizar melhor como está tudo organizado. E talvez seja por isso que o autor seja tão bom nas descrições que faz nas suas obras. Chega mesmo a precisar dessas descrições tanto naquilo que lê, tanto naquilo que escreve para aquela cena lhe pareça real. Trabalhou como ilustrador e cartoonista em diversos jornais e revistas, junto de adultos e crianças com necessidades educativas especiais.

Ao ter trabalhado em televisão, mais propriamente, shows para crianças, foi de certa forma obrigado a escrever para reter a atenção do leitor, e não cair na tentação de escrever sobre ele próprio. Até porque muitas vezes tinha que reescrever vários episódios, só porque o produtor decidia fazer algo completamente diferente naquele episódio.

Mark Haddon ensina a escrever pelo menos uma vez ao ano na Fundação Vaughan, mas não acredita que se consiga ensinar a escrever bem. Normalmente, os bons escritores são aqueles que se descobrem por acaso e os que acabam por quebrar todas as regras da escrita. Ele ensina as regras e é importante saber as regras da escrita, mas isso é apenas a base.

O autor aconselha a ler aquilo que se escreveu em voz alta. Por vezes aquilo que parece bem escrito, por vezes lido em voz alta não faz muito sentido, não soa tão bem. Por isso, por vezes, pode ser descartado. Assim como também se pode melhorar um mau texto.

Conhecido pelo seu romance O Estranho Caso do Cão Morto, lançado em 2003. Foi vencedor de prémios como o Guardian Children’s Fiction Prize 2003, o Commonwealth Writers Prize Best First Book Award 2004 e o Whitbread Book of the Year Award 2004.

Publicou o seu primeiro livro para crianças, Gilbert’s Gobstopper, em 1987, ao qual se seguiram outros títulos dirigidos aos público infanto-juvenil.

Depois de uma viagem pela poesia, Mark Haddon regressou à prosa com Boom! Em 2009, A Casa Vermelha em 2012, The Pier Falls em 2016 e O Golfinho em 2019.

Para veres mais conselhos sobre escrita do autor, clica no link abaixo

Writing advice from Mark Haddon


Estou de volta, FI-NAL-MEN-TE! (Parte 2 e final)

Olá, queridos leitores! ❤ Nos dias seguintes, à medida que a rotina se foi instalando novamente, a nossa vida mudou. Aquilo que antes tomáva...